quinta-feira, maio 17

O que o Google conta para os recrutadores sobre você

São Paulo – Os limites e cuidados para não acabar com sua reputação nas redes sociais já foram mais do que alardeados. No dia a dia, vale lembrar que a vida digital não se resume ao que você posta ou vivencia no Facebook, LinkedIn, Twitter e afins. E isso se estende para questões de carreira também.

Embora as redes sociais sejam figuras carimbadas no processo de seleção, quase todos os recrutadores consultados por EXAME.com afirmam que uma busca no Google é indispensável para determinados cargos. “Eu deixo isso para os três finalistas em cargos de alta gestão”, conta João Marco, diretor-executivo da Michael Page.
E ele admite que informações encontradas no Google já ajudaram a mudar os rumos de um processo de seleção – como quando descobriu que um dos candidatos finalistas a um cargo executivo foi um dos pivôs de um escândalo financeiro numa antiga companhia.
Agora é fato que os dados coletados na internet não acabam com as chances de um candidato sozinhos. “É uma ferramenta e como tal faz apenas parte do processo. Não é o fim do processo”, afirma Paulo Weinberger, da 2GET.
Mas pode dar algumas pistas valiosas para os recrutadores. “A mentira sempre teve perna curta, mas hoje com o acesso a mais informações é desmascarada mais rápido”, diz o diretor da Michael Page.

1 Contexto da sua experiência profissional
Quem não é prolixo e segue as regras para um currículo ideal lista apenas as empresas que trabalhou, o período, atribuições e resultados. Mas, em alguns casos, uma busca básica no Google pode revelar a situação da companhia no período que você trabalhou por lá. Dados que, dependendo do contexto, podem revelar muito sobre seu perfil profissional.
Por exemplo, se a pessoa trabalhava na área de logística da empresa, posso encontrar notícias que apontem problemas na cadeia de distribuição que geraram um prejuízo justamente na época em que o candidato atuava na companhia.
“Com base nessas informações, posso fazer um novo contato com ele para checar qual foi a participação dele, por exemplo”, diz o diretor da Michael Page. “Mas é preciso bom senso para avaliar a situação”.
2 Referências mais “desbocadas”
É fato que quase ninguém colocaria na sua lista de referências alguém que pode criticar seu trabalho. Certo? Pois, alguns recrutadores conseguem descobrir na internet outros nomes capazes de avaliar seu perfil profissional, como ele realmente é.
“Se sentirmos que o contato não passa credibilidade, buscamos outro contato para verificar aquela informação”, afirma Leonardo Rebbit, CEO da Curriculo Autêntico, empresa de auditoria de currículos.
3 Seus hobbies e afinidades
Na equação final, descobrir quais fóruns você participa na internet ou encontrar seu nome no site de algum grupo específico, evidentemente, não será mais importante do que sua experiência ou formação. Mas pode revelar se seus valores, por exemplo, podem ser compatíveis com o da empresa.
As suas interações em ferramentas como o Yahoo! Respostas também podem revelar mais do que você imagina. “Há pessoas que vão à internet perguntar informações sobre doenças, por exemplo. Dependendo da periodicidade desta prática, é possível conhecer o histórico de saúde do candidato”, diz Rebbit.
Palestras, artigos e entrevistas
“No início de carreira, você encontra mais dados pessoais do profissional na internet. Mas conforme ele vai crescendo na carreira, isso começa a se inverter”, afirma Weinberger, da 2GET.
Isso significa que, dependendo da sua área de atuação e posição hierárquica, todas as palestras que participou, artigos que escreveu e entrevistas que deu podem aparecer no radar do recrutador. E podem contar ou subtrair pontos da visão que ele terá de você.
5 Atos falhos
Inscrever seu currículo em diversas plataformas de recrutamento pode ser uma boa estratégia para ampliar suas chances. Mas, para os discípulos de Pinóquio de plantão, este pode ser o caminho para a própria cova.
“Se há discrepâncias entre estes currículos pode ser sinal de que há mentira ali”, diz Rebbit, que criou um método próprio para se blindar contra mentirosos profissionais.
Fonte: www.exame.com.br (IBE Business Education FGV)

quarta-feira, maio 16

Para falar de educação corporativa: Empowerment

Hoje, antes de falar efetivamente sobre o tema que escolhi para a coluna, quero contar duas pequenas histórias que, para mim, acrescentam muito e servem bem ao propósito de descortinar o que chamo de empowerment na educação corporativa.
No Interior de Minas Gerais, na zona rural do Vale do Jequitinhonha, um garoto franzino de 17 anos, assistindo às dificuldades que sua família enfrentava com a chegada do período das secas, resolveu partir para o chamado “corte de cana” no Interior de São Paulo. Lá, com muito esforço, conseguiu ganhar dinheiro para ajudar sua família e a cada ano ficava mais tempo que os outros. A surpresa de todos foi maior quando ele anunciou que não iria mais trabalhar como cortador de cana. Havia conseguido um emprego fixo como carregador em uma empresa de transportes. Nessa empresa, foi incentivado a estudar e como sempre foi muito dedicado e interessado, em pouco mais de 03 anos, já havia concluído o segundo grau, vários cursos de aperfeiçoamento na área de transportes e já era supervisor de cargas. Além de suas excelentes avaliações de desempenho devido à postura e resultados obtidos, ele também conseguiu melhorar a casa em que seus pais viviam no Interior de Minas Gerais, investir na saúde deles e ainda servir de exemplo para que seus irmãos também começassem a estudar.
Já no Rio de Janeiro, na capital, há outro caso interessante de uma mulher, que trabalhava como catadora de lixo e, com seus 36 anos, resolveu aproveitar um convênio que a associação de catadores fechou com um grupo educacional e começou a estudar. Partiu do antigo terceiro ano do primeiro grau, onde havia parado, e com 04 anos já estava concluindo o segundo grau. De catadora, passou a auxiliar de escritório da associação, onde aprendeu a resolver tudo ligado às questões administrativas. Encantada pela área, ela resolveu então fazer faculdade. Como não foi aprovada na Universidade Federal, se arriscou em um curso particular de administração, onde conseguiu um financiamento estudantil. Hoje, essa mulher, aos 46 anos, estuda pós-graduação em gestão de pessoas, assumiu o cargo de gerente de RH em uma empresa de terceirização de pessoal e continua dando consultoria para a associação que a ajudou em seu despertar educacional e profissional.
Essas duas histórias, reais, eu conto com muita felicidade e orgulho, porque acompanhei de perto e pude testemunhar o valor da educação como transformadora de vidas. E aqui, na discussão de hoje, elas se encaixam perfeitamente porque trazem um lado importante da dinâmica empresarial. Essas pessoas não teriam mudado suas histórias de vida se não tivessem sido municiadas com os instrumentos certos para o seu desenvolvimento.
É o que chamo de empowerment pela educação corporativa. Obviamente ele acontece em todas as instâncias, quando um sujeito é exposto às oportunidades de conhecimento, mas cabe aqui restringir nossa discussão ao campo corporativo, onde considero extremamente valoroso esse processo. E é necessário entendermos o que é esse empowerment do sujeito. Para alguns autores da área de educação, esse processo acontece em algumas esferas com o sujeito, onde ele passa a perceber os contextos de forma diferente. Zimmerman (2000) propõe que a análise passe por três níveis:
- Nível Individual: caracterizado como empowerment psicológico, este nível marca a mudança das percepções pessoais de controle, da abordagem proativa face à vida e do conhecimento/entendimento crítico do ambiente sociopolítico.
- Nível Organizacional: Para o autor, nesse nível, o sujeito passa a entender melhor os processos e estruturas que permitem sua efetiva participação na vida da empresa em que trabalha e também como pode melhorar a sua condição nos cenários de competição, utilizando melhor os recursos disponíveis;
- Nível Comunitário: Já nesse nível, o indivíduo se apodera de uma nova maneira de ver e agir diante da comunidade, aumentando o sentido da vida coletiva e proporcionando o estabelecimento de novas relações em face dos objetivos comuns que este percebe naquele convívio.
O autor ainda afirma que o bem-estar individual está diretamente ligado aos contextos em que o indivíduo está inserido e que as pessoas precisam de oportunidades para participar na melhoria da qualidade de vida, tanto individualmente, como nas empresas em que trabalham e nas comunidades de que fazem parte.

E o próprio nome, que não tem uma tradução exata para o português, pode ser apropriado como empoderamento, em um nível mais coletivo, ou o ato de dar poder a alguém por meio da oportunidade de crescimento. Para o sujeito, esse processo acontece no nível do apoderar-se da oportunidade e transformá-la em resultados no seu percurso formativo e de desenvolvimento pessoal e profissional.
Obviamente que, como todo processo de conceder poder em uma organização, é preciso que haja ferramentas de medição, mensuração e até de controle. Planos de carreira e sucessão, por exemplo, devem ser acompanhados de perto, com objetivos muito bem definidos e as amarrações estratégicas para que não se perca o investimento feito. As pessoas estão sujeitas ao mercado e suas constantes oportunidades. Assim, não basta criar um plano de carreiras. É preciso fazer com que ele seja conhecido e que os colaboradores percebam seu valor e se engajem naquela proposta como um objetivo de realização profissional.
As histórias que contei no início só reforçam um ponto que toco sempre que é o caráter estratégico e, ao mesmo tempo, social, que reside nas iniciativas corporativas ligadas à educação. As empresas podem e devem implementar ações estruturadas de educação continuada para seus colaboradores, considerando todos os níveis de desenvolvimento. O empowerment nesse sentido está em abrir ambientes educacionais para que as pessoas absorvam e troquem conhecimentos e técnicas que vão proporcionar o desenvolvimento individual, da empresa e dos negócios e, porque não, das comunidades envolvidas. É o que chamamos de educação estratégica e que deve ser gerida com inteligência e planejamento.
As empresas, como organismos sociais vivos, passam sempre por transformações e mudanças e fazer a gestão desses processos não é fácil. Envolver os colaboradores da melhor forma nos processos de mudança demanda, destes, uma percepção mínima do seu poder individual e de sua importância nos ambientes e eventos gerados a partir do cenário em questão. E para isso, nada melhor do que a educação para auxiliar na condução desses processos, abrindo novas perspectivas para que os colaboradores possam perceber e reverter essa percepção em ações individuais e coletivas voltadas à sustentabilidade da empresa e suas propostas de desenvolvimento em todos os níveis.
E você? O que pensa sobre o empowerment na educação corporativa? Deixe sua opinião!
Até o próximo!
Ubirajara Neiva
Gestor de Educação Corporativa

ZIMMERMAN, M. A (2000). Empowerment theory. Psychological, organizational andcommunity levels of analysis . In J. Rappaport & E. Seidman (Eds.), Handbook of Community Psychology . 43-63. New York: Kluwer Academic/Plenum Publishers.